1964 e 2016: tragédia e farsa…

Publicado por Griot Brazil em

Esse texto versa sobre a velha máxima de Karl Marx de que a história sempre se repete como tragédia ou farsa. No caso do Brasil parece que como farsa. Entre dos os personagens e fatos apontados o autor parece ter se esquecido de um central que no caso é a grande mídia que já naquela época despontava como uma força politico/partidária sempre comandada pelos Marinhos e seus representantes. Hoje o que muda é o fato de se ter a internet que tem oferecido um contra-ponto as mazelas dessa direita fascista que a muito vem governando esse pais e empurrando sua população para o caos e a ignorância.

Todavia a historiografia brasileira da conta de que a ideia do golpe, assim como a ditadura que se seguiu, não deve ser considerado como exclusivamente militar, sendo, em realidade, civil-militar. Segundo vários historiadores, houve apoio ao golpe por parte de segmentos importantes da sociedade brasileira: os grandes proprietários rurais, a burguesia industrial paulista, uma grande parte das classes médias urbanas (que na época girava em torno de 35% da população total do país) e o setor conservador e anticomunista da Igreja Católica (na época majoritário dentro da Igreja) que promoveu a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, realizada poucos dias antes do golpe, em 19 de março de 1964.banndeira-sangueJá em 2016 nós temos outros protagonistas embora com a mesma motivação golpista e usurpadora do poder por via de um golpe disfarçado e legitimado por vários setores da sociedade civil entre eles a OAB e o STF que mais uma vez tratou de dar caráter legitimo ao Golpe Civil-militar tendo em vista que o atual governo conta com o apoio dos milicos para se legitimar no poder…

Os golpes de 1964 e de 2016 tiveram mais em comum do que muitos supõem. Muito tem se dito que a atual deposição do governo eleito não foi um golpe por não ter caráter militar e por seguir os ritos estabelecidos na Constituição, mas em 1964 houve participação civil, parlamentar e do Supremo Tribunal Federal (STF), exatamente como hoje.

Em 1964, a base de apoio do Presidente João Goulart, que era composta pelo PTB e PSD se fragilizou. O PSD se deslocou do centro para a direita, se aproximando da oposição conservadora e antinacionalista liderada pela UDN.

A Coligação PTB/PSD foi forjada por Getúlio Vargas, em 1950, e consolidada na eleição de 1955 com a chapa Juscelino e João Goulart, que representavam respectivamente o PSD e o PTB.dcd6xj

Na eleição seguinte, apesar da simpatia de Juscelino pelo nome do General Juraci Montenegro Magalhães, Ex-Governador da Bahia e Presidente Nacional da UDN, a aliança foi mantida com a indicação da cabeça da chapa pelo PSD do Marechal Nacionalista Henrique Teixeira Lott e da continuidade do nome de João Goulart como vice-presidente.

A proposição das reformas de base, fez com que amplos setores da classe média, da Igreja católica e do empresariado se mobilizassem na famosa “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” que mobilizou 500 mil pessoas em São Paulo, contra a republica sindicalista, a corrupção e o comunismo.

A agitação dos subalternos das forças armadas e a política nacionalista do governo Jango, provocaram adesão dos militares e do governo americano a favor do golpe.

O golpe também foi parlamentar, pois, na madrugada de 02 de abril, o presidente do Congresso Nacional, senador Auro Moura de Andrade decretou vaga a Presidência da República sobre alegação de que o presidente João Goulart (sabidamente no Rio Grande Sul) tinha abandonado o Brasil sem autorização do Congresso Nacional; o verdadeiro motivo para a deposição, entretanto, eram a crise econômica, a política nacionalista e as reformas de base. Leia mais em: www.joserosafilho.wordpress.com

(Ubiratan Félix Pereira dos Santos, Professor do IFBA e diretor da Apub)

FONTE: Jornal A TARDE, 29.09.2016


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