A reinvenção do racismo no Brasil

Publicado por Griot Brazil em

A produção intelectual das alas mais conservadoras e racistas deste país esta se tornando cada vez mais agressiva. Por um lado, acredito, em tempos de crise é necessário reafirmar sua posição social, justificar suas regalias e privilégios e principalmente deixar claro quem manda. Mas, definitivamente vejo que há também certo temor devido à postura de enfrentamento que a população maioritariamente preta e pobre vem tomando nos últimos tempos. Claro ainda é tudo muito tímido, mas já posso ver num futuro próximo grande protestos com milhares de pessoas descontentes com os rumos que a elite branca tem determinado para o Brasil preto. Nesse emaranhado de discursos, patifarias, recursos judiciais, mentiras históricas e ideias mil sempre aparece umas teorias mal elaboradas, mas de fácil assimilação, perfeita para pessoas incultas, letradas ou não. E para leigos de todos os matizes com um mínimo de má vontade. A boa nova que tem sido dita, lida e relidas no asfalto, nos bares, morros e favelas cariocas é a seguinte: O MAIOR RACISTA É O PRÓPRIO PRETO.  Esse argumento, é antigo, mas resolveram ressuscitar essa lenga-lenga para dar voz aos sem argumentos que povoam becos, calçadões, vielas e redes sociais.

Vamos entender, se o maior racista é o preto, então, não há razão para se ter cotas, ações- afirmativas e tudo que possa de alguma forma reparar minimamente o estrago causado por quase 400 anos de escravidão e a saída nem um pouco digna deste sistema cruel. É incrível como estas teorias são jogadas ao vento e tanta gente sai por ai reproduzindo sem nem se quer fazer uma breve análise do assunto.  O racismo tem várias facetas e uma delas é a negação da sua existência, mas ao longo do tempo essa gente vem evoluindo, se é que se pode chamar de evolução algo deste tipo. O que antes era restrito a alguns intelectuais de direita ou esquerda que no fundo em termos de racismo são todos farinha do mesmo saco, hoje já faz parte do discurso de milhares de pobres massacrados psicologicamente por séculos de opressão sócio-racial.

Nesse panorama bizarro onde até o mais pobre do cidadão é conservador e até o tom de pele é levado em conta para legitimar ou diminuir certos indivíduos, todos os dias surgem novas idéias, confusas e pouco elaboradas é bem verdade, mas elas estão aí, dificultando a vida de um preto ali, de outro aqui, impedindo o acesso, limitando as oportunidades e cumprindo o seu papel social. – EU SOU PRETO, MAS NÃO SOU TÃO PRETO QUANTO VOCÊ… Esta frase sintetiza o que foi e o que é o ideal de branqueamento, uma teoria idiota e desleal, mas que desafia a lógica entrando século XXI adentro.  A verdade é que somos homens do século XX, com a mentalidade do século XIX e vivendo no século XXI. Daí não me surpreender o fato de tantos homens e mulheres buscarem a todo custo fugir de si mesmo procurando num simples tom mais claro de pele ou num cabelo menos crespo a superioridade. Também entendo que num lugar onde os recursos são escassos para mais de 80% da população, qualquer vantagem social é bem vinda, então, gabar-se de um tom mais claro que sugere uma gotinha a mais de sangue europeu, pode ter sido à forma encontrada por muita gente para sentir-se parte do processo, já que isso sempre foi negado aos pretos retintos. Uma solução covarde devo admitir, mas super natural no país da “democracia racial”, do ideal de branqueamento e da falta de ética intelectual. Milton Santos dizia que o problema todo é que no Brasil não existe uma cultura de cidadania e sim de privilégios e que não havia sinais claros de mudança de mentalidade.  Sendo assim o racismo persiste.Já o etnólogo cubano Carlos Moore no seu livro O racismo através da história, diz o seguinte:

“… o racismo beneficia e privilegia os interesses exclusivos da raça dominante, prejudicando somente os interesses da raça subalternizada. O racista usufrui de privilégios e do poder total enquanto o alvo do racismo experimenta exactamente a experiência contrária.” Carlos Moore nos diz mais; o racista se beneficia do racismo em todos os sentidos: económica, política, militar, social e psicologicamente. “Não somente ele se sente superior, mas vive uma vida efectivamente superior à vida daqueles que ele oprime.”

É super-importante deixar claro nesse amontoado de teorias, que, um cidadão preto que discrimina outro cidadão preto é no mínimo alienado e com um sério problema de auto-estima. Além do fato de estar literalmente dando um tiro no próprio pé, já que não terá nenhuma vantagem seja social, económica, política, militar e psicológica.  Outro ponto importante é que, o que os brancos estão dizendo ser racismo dos pretos, não passa autodefesa já que as conjunturas sociais, políticas etc. não permitem tal fato.

Por: Gabriell X


1 comentário

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Olavo · 31/12/2018 às 5:44 pm

Na mosca. assino embaixo

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