Além do samba…

Publicado por Griot Brazil em

No Rio de Janeiro, berço da malandragem sofisticada, da fala arrastada e cheia de suingue, nasce uma das maiores cantoras e compositoras desse pais, Jovelina Pérola Negra, de voz rouca, forte e timbre peculiar ela era considerada herdeira do estilo de Clementina de Jesus.

 Jovelina Pérola Negra cujo o nome de batismo era Jovelina Faria Belford, nasceu no bairro de Botafogo, zona Sul do Rio de Janeiro, mas logo mudou-se para o subúrbio. A cantora participou e versou (diz-se do samba improvizado) nas rodas de pagode surgidas nos anos de 1980, no subúrbio carioca, ao lado de Almir Guineto, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho e outros.

Sua história como a de muitos negros brasileiros, é um testemunho de luta e superação. De empregada doméstica a vendedora ambulante de linguiça, nunca desistiu do sonho de se tornar cantora de samba.

Ela era fã de Bezerra da Silva, Almir Guineto e tantos outros artistas da época. Então, influenciada pela arte de Bezerra, sua inspiração maior, ela começou a fazer apresentações no Vegas Sport Clube, em Coelho Neto, levada pelo amigo Dejalmir.

 Dejalmir também, fora responsável pela escolha do seu nome artístico, Jovelina Pérola Negra, em homenagem a sua cor negra retinta.

De Coelho Neto foi para Belford Roxo e depois para Madureira, onde, na Escola de Samba Império Serrano, desfilou anos a fio na ala das Baianas. Na Estrela de Madureira conheceu Roberto Ribeiro, Jorginho do Império e outros nomes de peso da escola.

Começou a cantar ao lado desses artistas e virou atração no Show Boteco do Império, que acontecia na quadra da escola, durante os ensaios, para aumentar o caixa que financiava os desfiles.

Não passou muito tempo, até que seus fãs, associaram a sua voz a uma das grandes vozes do samba de todos os tempos. Então, eles passaram a considera-la, herdeira natural de Clementina de Jesus, na dinastia do samba.

Jovelina foi uma das peças mais importantes na condução do samba de fundo de quintal e do pagode para a linha de frente da MPB.

A artista estreou na música, pode se dizer que tardiamente, em 1985, quando já tinha uns 40 anos, com sua participação em três faixas da coletânea Raça Brasileira.

No ano seguinte, a cantora gravaria seu primeiro disco solo, com sambas de sua autoria e de grandes compositores como Nei Lopes que também é escritor e Monarco.

Ao todo, Juvelina gravou seis discos, entre eles, “Sorriso Aberto”, (1988) “Sangue Bom”, (1991) “Vou da Fé”, (1993), quando conquistou um disco de platina. O que foi um marco na sua carreira.

A grande dama do samba, infelizmente, enfartou e morreu aos 54 anos, Na época residia no bairro do Pechincha, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

O corpo da cantora foi enterrado em clima de pagode, com familiares e populares cantando seus maiores sucessos. A mãe Jovelina Pérola Negra deixou três filhos e dois netos.

Seu canto, poesia e estilo de vida deixou claro que a sua arte foi muito além do samba.

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