Anacronismo histórico…

Publicado por Griot Brazil em

Obs: Neste artigo não iremos apontar e nem mesmo falar da vida extra-campo do ex-jogador Pelé. Sobre Édson Arantes do Nascimento falaremos em outra oportunidade.

O futebol para muita gente é apenas um esporte de contato, mas para mim, é bem mais que isso.  Terreno fértil onde mitos caem por terra todos os dias. É o campo das paixões e multidões apaixonadas ou não.  Para entender um povo entenda suas paixões e nesse contexto nenhuma nação do mundo ama mais esse esporte do que os brasileiros. Então, se quisermos esquadrinhar o racismo nesse país nos basta olhar para os achados e escritos sobre esse assunto nesse canto do planeta. O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão, assim como foi uma das ultimas nações a reconhecer o Pelé como sendo rei do futebol, mesmo este sendo brasileiro. Analisando por esse prisma vamos entender os motivos pelo quais se tenta tirar a coroa de rei do atleta do século eleito pela FIFA. Já virou rotina nos jornais como o lance, o dia e tantas outras mídias que comparam o Messi que nunca foi campeão do mundo por sua seleção ao Pelé, ignorando números e mais números e até mesmo copas do mundo. Antes do Messi o Maradona foi comparado com o rei. Porque isso? Porque a imprensa brasileira, sendo a argentina um dos nossos maiores rivais nos campos insiste em fazer tal alarde? Eu só posso entender isso quando percebo que nenhum povo no mundo pensa mais a sociedade em termos raciais do que os brasileiros.

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Pelé no Cosmo dos Estados Unidos

Todavia o Sr. Apollo Natali num artigo bastante extenso diz o seguinte sobre o rei: Pelé fez o mundo voltar os olhos para o Brasil numa época em que nosso país, que inclusive não havia ganho nada no  futebol em termos de seleção, era aos olhos internacionais apenas uma imensa e risível plantação de bananas cheia de índios e jacarés. Com seus dribles, gols, gestos e força, Pelé provocou uma verdadeira comoção afetiva nos corações e as atenções se voltaram então para o Brasil. Chutando bola, Pelé ajudou o Brasil e o time do Santos a conquistar títulos há muito sonhados e de quebra  realizou um inigualável trabalho de diplomacia e marketing em favor do seu país. Parece até que ele era um missionário que veio com esse propósito. Quando comparam Pelé com qualquer outro jogador, eu digo que, além do futebol mágico, ele tinha o que faltou nos outros: poder. Pelé era poderoso em campo. Leia aquipele2Noutro dia li estarrecido que o Messi é o melhor da história. Bom! Ele é realmente um jogador excepcional quanto a isso não há duvidas, mas o melhor da história é demais. Nessa luta ferrenha por um rei que seja a sua imagem e semelhança jornalistas se empenham em ignorar evidencias histórias tais como na idade do cidadão portenho o Sr. Edson Arantes do Nascimento já havia ganhado quase tudo.  Sempre acreditei que os números e as grandes conquistas tivessem pesos diferentes na escolha do melhor jogador, mas aqui na terra do futebol a cor da pele é o fator decisivo, onde trezentos ou quatrocentos  gols de um homem branco mesmo que este seja argentino valem mais que 1285 de um cidadão preto mesmo que este seja conterrâneo. Aqui três copas do mundo tem o mesmo valor de três UEFA ou cinco prêmios de melhor da FIFA . Nessa lógica estranha Maradona ficou para traz mesmo tendo ganhado uma copa do mundo de maneira brilhante, não só ele, mas também Garrincha que tem duas copas do mundo no currículo além de Zidane, Ronaldo e Romário todos com uma copa do mundo. reiO que todos eles têm em comum é o fato de não serem legítimos representantes de uma classe média branca e racista. Maradona embora branco talvez não tivesse o perfil de bom moço necessário a tal posto. Zidane é descendente de africano, Ronaldo, Romário e Garrincha nem preciso comentar. Quando vejo essas comparações logo me vem à mente, esse cara que esta escrevendo nunca jogou bola se jogou foi um jogador medíocre. Na época em que o Pelé jogou futebol, a bola era de couro e parecia um coco de tão dura e eles jogavam com uma chuteira pesadíssima daquelas pregadas com tachinhas e mesmo assim o cara com dezessete anos usando um coturno de quase cinco quilos, deu aquele giro no zagueiro como se estivesse jogando com a Jabulani ou uma dessas chuteiras que pesa algumas gramas, isso numa final de copa do mundo não foi num jogo qualquer não. Entender o grau de dificuldade de cada época é necessário para valorizar cada um de acordo com o que realmente ele representa, escrevo isso, não para esses jornalistas mal intencionados de lance, placar e o dia, mas para as pessoas comuns que não entendem a motivação de cada um desses caras. Dizer que o Messi mesmo com todo talento que tem é o melhor do século XXI sendo que ainda estamos em 2018, é muita pretensão, é forçar muito a barra, será que em 82 anos não surgira outro jogador no nível desse rapaz, hum… Complicado hein…

 

                Prettu Júnior

Escritor e especialista em racismo


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