As pautas negras sob outras perspectivas…

Publicado por Griot Brazil em

O Brasil definitivamente não é para amadores. Esta frase que até já esta se tornando clichê, é a que mais explica o modelo de racismo praticado neste cantinho de mundo. Logo, essa redundância se faz necessária. Em entrevista, a Época Negócios, a ex-consulesa da França, Alexandra Loras,  meio que pontuou algumas das muitas reclamações dos movimentos de negritude brasileiro. O fato de ela ser estrangeira e ter o know how de ter sido consulesa da frança, além é claro de ser casada com um homem branco francês, a torna uma figura aceitável para a branquidade brasileira que invariavelmente se nega a ouvir a militância negra. Bom! Não acredito que ela seja um quadro do movimento negro, mas é alguém que se importa e isso para nós tem valor. Pontuaremos aqui algumas assertivas e comentaremos o seu ponto de vista.

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Perguntada sobre o que falta ser abordado sobre tais temas, ela responde: _ O Brasil tem apartheid e segregação tão sofisticados que não precisa de placas dizendo o que é para brancos e o que é para negros: cada um cresce sabendo seu lugar. O brasileiro tem fascinação pelo loiro de olhos claros. Vejo isso com meu filho, que nasceu loiro e branco e recebe elogios diariamente. Leia AQUI.

Bom! Não tem como dizer que esse olhar não é realista porque de fato é exatamente assim que acontece. A população não consegue esconder a sua fascinação por brancos e isso é fruto de uma ideologia massivamente plantada e regada pelos meios de comunicação que representam a mentalidade colonial e escravocrata que ainda vigora no Brasil. Sugerimos que leiam a entrevista completa também. AQUI!

Outro ponto da entrevista que merece destaque é quando ela diz que: – As empresas preferem ser racistas do que capitalistas, pois não enxergam o potencial do afroconsumo. Se somos 54% da população brasileira, por que não vemos uma “família margarina” negra? Por que não vemos negros promovendo pasta de dente ou absorvente? É uma narrativa que apaga 114 milhões de pessoas e não considera nem mesmo que 22% da população da classe A é de negros. Outro número é a desigualdade salarial entre brancos e negros, que representa um prejuízo anual de R$ 808 bilhões. A elite precisa enxergar o quanto o negro é talentoso e tem um potencial imenso. Temos que deixar a quebrada entrar nas agências, nas universidades, nos cargos executivos. O Brasil tem muito a aprender com essa quebrada talentosa, que consegue se virar com nada. Leia AQUI.

Bem! Concordamos em parte com essa fala. Em parte porque acreditarmos que racismo e capitalismo são as duas faces de uma mesma moeda. Entretanto, são doutrinas que em alguns momentos divergem uma da outra e o caso ilustrado pela ex-consulesa pode ser um destes.  Particularmente acreditamos que haja mais ma fé do que falta de visão, afinal, não temos o presidente que temos, por simples falta de percepção dos fatos. As pessoas fazem escolhas o tempo todo, e a muito tempo as elites brasileiras escolheram o retrocesso em detrimento das politicas públicas de inserção das populações marginalizadas. Não podemos ignorar que para eles, inserir a população negra e indígena não esta em pauta. O que corrobora com essa minha visão é exatamente esse ódio destilado nas redes sociais. Isso só continua sendo expressado porque existe uma concordância, ainda que subjetiva, por parte de uma boa parcela da população branca brasileira. Todavia, concordo que exista um preço a ser pago por essa visão de mundo totalmente desconectada dos modelos universais de convivência com as diferenças professados até mesmo pela carta magna brasileira.

Por: Prettu Junior


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