Chico da Matilde, o abolicionista negro do Ceara…

Publicado por Griot Brazil em

Em tempos de ódio, ignorância extrema, medo, mentiras e falta de respeito ao próximo. Em tempos de frases toscas, mal elaboradas, discussões infrutíferas, deturpações históricas, ódio e desrespeito aos mais elementares preceitos universais. Em tempos que a mentira ganha ares de verdade absoluta e inquestionável. Nestes tempos sombrios, nós que lutamos por um mundo melhor, devemos buscar as verdades contidas nas histórias de lutas que o nosso povo vem travando contra as injustiças, desde que o primeiro africano, na condição de escravizado, pisou em terras brasileiras a mais de quinhentos anos.

Umas das muitas lutas travas sob esse sol eterno, foi a luta pela abolição da escravatura que não se deu pela bondade de uma princesa, príncipe ou rei de meia tigela, como tentam nos fazer crer. Mas pelo esforço conjunto de milhares de seres humanos que lutaram insacavelmente, até jogar por terra esse sistema injusto, desleal e covarde. Conta a lenda que uma das grandes figuras que surgiram naqueles tempos nebulosos foi Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar. Ele também era conhecido como Chico da Matilde, por ser filho de Matilde Maria da Conceição. Desde cedo Chico se viu envolvido na vida cotidiana do litoral Cearense. Como nos conta o site Canoa Quebrada: – Só aos 20 anos de idade que Chico aprendeu a ler. Chico era Jangadeiro e foi considerado o maior herói a favor da libertação dos escravos no Ceará. Em 1859 trabalhou nas obras do Porto de Fortaleza e iniciou o trabalho como marinheiro em um navio que fazia a linha Maranhão – Ceará. Leia AQUI. 

Nas suas muitas andanças Chico da Matilde, acabou vindo a ser nomeado em 1874, como Pratico da Capitania dos Portos. (O Prático de Navios – também chamado de Prático de Porto ou, simplesmente, “Prático” – é o profissional que trabalha diretamente com as tripulações das embarcações). Assim sendo Chico ficou na linha de frente de uma das funções fundamentais para o transporte de seres humanos escravizados. Ali, no porto, ele passou a conviver com o drama do trafico negreiro e não pode ficar alheio a dor dos seus irmão. Assim, Chico da Matilde acabou se envolvendo na luta contra a escravidão e um dos seus atos mais marcantes foi fechar o porto de Fortaleza impedindo assim o embarque de pessoas escravizadas. Depois disso ele travou muitas outras lutas e deixou um legado de resistência, luta e desejo por justiça.

Chico da Matilde ou Dragão do Mar é conhecido principalmente na região norte e nordeste, mas a sua luta foi maior que essa limitada noção de brasilidade marcada pleo regionalismo que impera nestes tempos caótico e incivilizado que estamos vivendo. O seu exemplo de luta se junta ao de outros negros que não tiveram seus esforços escomunais reconhecidos pela historiografia oficial. No entanto, suas histórias e lendas ainda são lembradas e contadas pelo povo afro-brasileiro. Urge o dia que poderemos celebrar os verdadeiros heróis dessa terra abençoada por Deus e amaldiçoada pelos homens que a invadiram, saquearam e mataram em nome de suas ganancias pessoais.

Por: Prettu Júnior


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