“Black Face”De boas intenções o inferno esta cheio…

Publicado por Griot Brazil em

A primeira vez que ouvi a frase, ” de boas intenções o inferno esta cheio”, foi da boca da minha mãe e como eu era muito jovem fiquei imaginando a ironia por traz dessa afirmação. Ironia porque geralmente as pessoas bem intencionadas são pessoas que buscam contribuir ou ajudar de alguma forma o seu semelhante. E sendo assim, o inferno não poderia estar cheio delas. Bom! Não sei se vocês estão acompanhando a minha linha de raciocínio, mas por via das dúvidas vou explicar melhor.

Acabei de ler uma matéria sobre o Festival Folclórico de Parintins, onde os personagens negros são representados por brancos, “bem intencionados”, segundo versa o jornal e um dos militantes negros que defendem esse modelo de atuação. Estes brancos que participam da encenação se pintam de tinta preta e este fato um tanto quanto estigmatizador chamou a atenção dos jurados que estiram na ilha para julgar a festa.

Os jurados disseram o seguinte: – “quando colocamos pessoas que não são negras para representar negros e os pintamos de preto, estamos sendo desrespeitos com a raça. Se os índios são representados por pessoas com traços indígenas e os brancos são representados por brancos na festa, nada mais justo que Catirina e Pai Francisco sejam representados por pessoas negras”. Leia AQUI

Apesar dessa minha veia militante estar sempre se opondo ao sistema vigente eu infelizmente, não posso dizer que a percepção dos jurados que de certa forma representam um sistema opressor, esteja equivocada. Todavia, me solidarizo com os irmão que ainda não entendem a urgência de se ter negros representado nossos antepassados que eram negros. Isso não tem a ver com sectarismo., mas com dignidade e respeito aqueles que foram antes de nós. Outro fato importante a ser lembrado é que raramente vemos uma pessoa negra representando uma figura histórica branca e isso nunca é questionado e nem deve ser mesmo, afinal, a representação fidedigna de figuras históricas é o minimo que se espera, sejam elas, brancas, índias ou negras.

Mas na opinião do ativista do Movimento Afro do Amazonas, Alberto Jorge, os jurados confundiram black face dos Estados Unidos com o folclore brasileiro. “Nos Estados Unidos o black face era usado de forma jocosa mesmo, pra rebaixar os negros. No folclore brasileiro, os próprios negros se pintam de preto e isso acontece em várias festas. Aqui não há intenção agredir os negros, mas sim representa-los e celebra-los. No Maranhão alguns negros também se pintam de uma cor bem mais preta. Não há racismo e nem preconceito” , explica. Leia: AQUI

Bom! Eu já não concordo com esse ponto de vista até porque esta questão também esbarra no caráter debochado que  sempre esteve presente no folclore brasileiro. seja com monteiro lobato, representando a tia Anastácia e até mesmo o Saci Pereré de maneira extremamente gaiata. Não podemos ser inocentes ao ponto de acreditar que não exista todo um sistema de coisa que foi construído para entreter os brancos com a nossa humilhação publica.

Os defensores dessa ideologia que eles chamam de cultura popular  são majoritariamente brancos até porque o objeto de deboche não é um deles. Embora, volta e meia vemos um ou outro preto fazendo coro com esse modelo de entretenimento que debocha da nossa história e não raro do modo de vida dos negros trazidos sequestrado de África e que chegaram aqui  tentaram reproduzir o máximo possível de “costumes africanos” que lembravam,  dai o deboche. E honestamente não tem graça nenhuma utilizar o sofrimento de um povo para entreter os descendentes daqueles que os escravizaram. Em fim, de boas intenções o inferno esta cheio.

Por: Prettu Júnior


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