Exercício Diário de Auto-Estima Negra…

Publicado por Griot Brazil em

Por: Renato Gama…

Entendo nossa correria. Inclusive com os fones de ouvido, que nos desconectam desse pesadelo e nos fazem viajar nalgo que ainda não nos tiraram: O direito de sonharmos com um espaço onde nossa comunidade preta exista com dignidade. Porém eu gostaria de convidar a Comunidade Negra a cumprimentar (assentindo com a cabeça, acompanhado de um espontâneo sorriso), pessoas negras ou alguma pessoa negra que cruze nosso caminho no dia.

anderson silva

Concordo que a teoria e política de Democracia Racial que vigora, com tudo no Brasil, adoece ainda mais nossa Comunidade Preta, distanciando-a, cada vez mais, do auto-conhecimento. De conhecer sua própria História original. Pra além da colonização. E isso dificulta uma consciência Racial, levando nosso próprio Povo Preto a reproduzir o engodo dos brancos “Consciência Social.”, fazendo com que, por exemplo, poucas pessoas negras cumprimentadas assimilem o porquê estão sendo cumprimentadas, não considerando por exemplo que esteja sendo paquerada ou confundida com alguém.
Apesar de qualquer pessoa negra poder fazer isso, a iniciativa se torna menos complexa quando tal atitude parte de pessoas negras que possuam na estética algum elemento político africano como roupa, cabelo, careca… Afinal de contas, estamos falando de contato visual. Dentro de um contexto que, diferente dos EUA onde se aprende na escola sobre luta pelos direitos civis , aqui pessoas pretas não sabem que são pretas. Ou melhor, não sabem que tais coisas acontecem simplesmente porque são pretas. Inclusive o cumprimento entre pessoas pretas desconhecidas, que na verdade são igualmente herdeiras das consequências da colonização e escravização do povo africano. Quer as pessoas negras no Brasil aceitem se ver como africanas ou não.
Realizo esse gesto há pouco mais de 1 ano. São muitos vácuos e confesso que me sinto mais à vontade com homens negros. Poucas mulheres negras me olham e me dão a chance de sacudir a cabeça. Mas é cada sorriso que nós recebe… Que é impossível nosso dia não ficar radiante de meio-segundo pra outro. Sorrisos provenientes de irmãs e de irmãos.

Infelizmente ainda não podemos sair fazendo isso com todo mundo (ainda), e é ainda mais compreensivo pras mulheres negras se sentirem menos à vontade, uma vez que vivemos num território comportamental Euro-centrado. E emulamos e reproduzimos então o comportamento da única Civilização que nunca teve igualdade gênero com a mulher e nunca conseguiu tratá-la sem conotação e intenção sexual: Europa, berço da Psicanálise (sexo no centro). Entre outras coisas.
Por isso faço parte de um movimento que busca romper e negar tais valores, teorias e premissas desse Berço Civilizatório como sendo funcionais e saudáveis a pessoas negras, estudando assim aquilo que vá conseguir me fazer alterar o centro ontológico de minha vida: Europa por África.
Mas as irmãs, mulheres negras podem, por enquanto, fazer como nós homens negros fazemos com homens negros (e eu sei que muitas irmãs já fazem): Cumprimentarem nas ruas as irmãs desconhecidas.
Quem sabe um dia a gente alcance o patamar de um povo preto que consegue olhar uma ao outro, uma à outra, um ao outro sem conotação sexual? E sem aquela conotação sexual animalizada que o branco e a branca criaram sobre nós, de que somos pedaços de carne que só servimos pra sexo e só pensamos em sexo? Acredito que só dependa de nós mesmos nos curarmos dessas doenças brancas que os brancos e brancas implantaram em nós. E o caminho pra isso alguns e algumas de nós estamos buscando, que é Afrocentrando.
Como vamos nos curar do olhar e tratamento de diferença de gênero se estamos usando ou enegrecendo teorias do Berço que em nenhum momento da História da Humanidade teve equilíbrio de gênero?
Uma ótima semana pra nós, Povo Melaninado! Se nós não prezarmos por nossa auto-estima, quem prezará por nós?

Outro adendo: Parte também dos brancos o recorte de um estudo e área de atuação profissional chamada Sexologia.
É o único povo do Mundo que coloca Sexo no centro das relações. Não por acaso é o único povo do mundo que criou uma área específica pra estudar e atender sobre isso. Sexólogo (a). Quer monstruosidade maior que uma atividade profissional dessa?

Bom dia. Hotep!


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