O GOLPE PARLAMENTAR NO BRASIL E OS GOLPES DIÁRIOS NA POPULAÇÃO MAIS POBRE.

Publicado por Griot Brazil em

Não podemos “lavar as mãos” e ignorar que o que houve no Brasil no dia 12 de maio de 2016 foi um descarado golpe civil-jurídico-parlamentar que tomou de assalto o poder, recolocando no comando do país o que existe de mais podre e perverso na política brasileira. Não podemos fingir que nada aconteceu por um simples e único motivo: as ações que serão tomadas a partir de agora impactarão ainda mais aqueles que sempre foram o alvo preferencial das políticas de “sacrifício” e dos cortes apregoados como sendo necessários ao “progresso” da nação. Ou seja, os mais pobres. Os miseráveis que compõe a base da pirâmide social. Aqueles que diariamente já sofrem com os mandos e desmandos das classes políticas que os desprezam e sempre desprezaram historicamente. São estes que mais uma vez irão pagar a conta final do prometido desenvolvimento.brasil-1
Não se trata aqui de tecer qualquer tipo de ilusão no que diz respeito ao Partido dos Trabalhadores. As esquerdas e os movimentos sociais de uma maneira geral sabem perfeitamente tudo o que o PT abriu mão para garantir os seus projetos de poder e governabilidade. Não existe pacto possível entre exploradores e explorados e se durante muitos anos, as classes privilegiadas aceitaram compor parcerias com o governo Petista foi porque ganharam muito com isso. Mas toda a relação de interesses tem o seu prazo de validade. Em algum momento, aqueles que sempre conduziram abertamente as políticas da “Casa-Grande” iriam reivindicar de volta, o controle de todas as ações.

O que é importante destacar nesse processo é o caráter violento que os conservadores e privilegiados deste país agregam quando estão decididos a impor seus projetos de dominação política. Nada que realmente possa nos surpreender considerando um país como o Brasil que teve sua elite formada na base do sangue jorrado de pessoas escravizadas em quase 400 anos de cativeiro. O que ficou evidente, portanto, foi esse velho ódio de classes. Esse antigo sentimento dos donos do chicote que apenas toleram os que estão sob seu domínio para viabilizar a manutenção de suas riquezas.

Por esses motivos é possível compreender que o que vem por aí são tempos bem sombrios. Se a situação dos que sempre sofreram com as decisões do alto escalão da política estava ruim, receio que o prognóstico não seja nada animador para os próximos anos. O grupo que se (re) colocou no poder depois de mais de uma década está ávido para fazer valer seus projetos de mercado o quanto antes. Ele possui o apoio da mídia corporativa; dos empresários e das classes médias. Isso já é o suficiente.

Agora mais do que nunca, assistiremos a um processo de mercantilização da educação; desregulamentação das leis trabalhistas; privatização dos órgãos de saúde pública e proeminência do mercado nos setores mais estratégicos para o país. Nada do que já não vinha acontecendo, mas com a diferença de que na nova conjuntura, tudo será muito mais acelerado e com pouquíssimas chances de reação dos movimentos sociais organizados.

Resultado de tudo isso? A continuidade dos sucessivos golpes diários aplicados na população pobre espalhadas pelas favelas e periferias do Brasil. Golpe naqueles que dependem de um salário mínimo para sobreviver; naqueles que usam os serviços precarizados do Sistema Único de Saúde; naqueles que ainda enxergam na educação pública, a oportunidade de uma vida melhor. Não tenho a menor dúvida de que mais do que nunca e com mais velocidade ainda, para qualquer decisão tomada contra os trabalhadores “lá em Brasília”, os efeitos virão como um rolo compressor em cima de nossas cabeças.

Humberto Salustriano da Silva

Humberto

PROFESSOR NO CEASM


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