Karl Marx não era preto!

Publicado por Griot Brazil em

Meu primeiro texto para o site foi colocando o dedo na ferida em um tema extremamente importante dentro do movimento negro. Agora eu quero colocar outro dedo na ferida dentro dos movimentos sociais, que tanto dizem estar do lado dos negros, mas na real eu vejo que não é exatamente assim, e eu vou explicar o porquê, pelo menos dentro do meu ponto de vista, homem preto, morador de um morro carioca, que acompanha o genocídio da juventude negra bem de perto e vê que os pais dos jovens vitimados pelo estado seguem se sentido desamparados e desprestigiados, e não pelo estado, pois isso eles já esperavam, e sim pelos movimentos sociais, que nem sempre praticam a filosofia que tanto pregam.
E é por causa disso tudo que eu queria falar de Marx, não exatamente de Marx, mas sim dos marxistas, que costumam dizer que tudo é luta de classe, e com isso acabam esquecendo que o racismo existe, e com esse pensamento de recorte unicamente social, eles acabam – sem querer – fortificando o discurso da direita que eles tanto odeiam e criticam. O pior é quando o próprio negro marxista também diz isso; e sim, eu já vi isso. karl-marx-wikimedia-commons

É válido ressaltar que eu já li O Capital, que é uma das principais obras de Marx, e conheço um pouco de sua obra, que é bem vasta e bem crítica quando o assunto é capitalismo, e de fato há temas interessantes em sua filosofia de pensamento e estudo; gosto muito, por exemplo, do tema da mais-valia, que tanto destrincha e explica as questões da exploração dos trabalhadores. Ou seja, o foco do meu texto não é o renomado escritor e filósofo alemão, a questão não é essa; estou aqui para propor uma reflexão crítica aos marxistas que se dizem a favor da luta dos negros, mas quando estoura um escândalo de racismo, eles são os primeiros a dizer que aquele negro só sofreu preconceito porque era pobre, ou seja, muitos marxistas colocam a questão social na frente da questão racial, e esse recorte me incomoda profundamente.

É lógico que vivemos dentro do sistema capitalista, onde manda mais quem tem mais, onde o dinheiro abre portas que pareciam trancadas e que todo mundo parece mais bonito quando é rico, mas… Uma pessoa negra não deixa de sofrer racismo por ser rica, ela não deixa de ser tratada de forma diferente quando entra em um ambiente de totalidade branca. Se acha que estou falando besteira, veja os inúmeros casos no Brasil e no mundo. Gosto muito de usar o exemplo de jogadores de futebol, que são pessoas públicas, ou seja, todos têm ciência que estas pessoas são abastadas financeiramente, alguns até milionários, mas mesmo assim eles ainda são atacados nas redes, nos estádios, na rua; na Europa chega a faltar banana, de tanto que jogam nos atletas negros, e todos sabem o simbolismo de tacar uma banana em um negro, é racismo, sim! E se todos sabem que aquele jogador negro é rico, por que ele ainda é hostilizado e discriminado?

Tem outro exemplo bem interessante também; pois se o recorte da discriminação é unicamente social, por que os policiais, quando fazem operação na favela, abordam e agridem o negro que está passando na viela, enquanto o homem branco, vestido da mesma forma – ou até mais maltrapilho –, está passando praticamente despercebido, enquanto o homem negro tem que ouvir diversas humilhações; algum marxista sabe me explicar esses fenômenos?

E não me venham com a velha falácia do vitimismo (palavra da moda), de dizer que estou inventando coisas, pois como eu disse no início: eu vivo isso todo o dia, já vi isso diversas vezes, faz parte do meu cotidiano. Então, pelo menos nesse aspecto, eu só aceito críticas de quem vive exatamente o mesmo cotidiano que eu, do contrário ficaremos nos achismos e nas argumentações teóricas dos cientistas sociais que tanto falam de favela, mas nunca pisaram em uma, a não ser pra comprar droga.
A esquerda marxista precisa entender que Rafael Braga está preso porque é preto! Luana Barbosa, lésbica, preta e moradora da periferia de Ribeirão Preto, só foi assassinada por policiais por conta do tom da sua pele, pois a própria investigação alegou que os policiais confundiram a Luana com um homem preto, como se isso fosse motivo, mas pra polícia o homem preto sempre foi um alvo.karl marx

O genocídio do povo preto existe, é bem real e os números estão em uma crescente assustadora, e isso não me deixa aceitar recorte social de marxista que faz discurso com a camisa do Che, dando a entender que não devemos discutir racismo, pois os pretos só sofrem porque são pobres, e com isso, todo o proletariado do mundo deve se unir contra o opressor. Mas quem é o verdadeiro opressor? O porco capitalista que não faz questão nenhuma de esconder que é meu inimigo? Ou o branco fantasiado de Power ranger vermelho, que adora fazer discurso a favor do oprimido na internet, que tá sempre com a bandeira da foice e o martelo na mão, mas no ato em prol dos pretos ele não vai, pois acha injusto dizer que o genocídio é do povo preto, e não do povo pobre. Falando o português claro: prefiro mil vezes lidar com o inimigo declarado, ao invés desses que andam fantasiados de amigo, mas por trás dos panos (vermelhos) andam boicotando os eventos e os atos dos pretos.

Agora falando sobre o título do texto em questão… Karl Marx não era preto, não tinha parente preto e nunca andou no meio de nenhum preto, ou seja, não possui a menor vivência sobre o assunto, portanto, parem de falar de Marx como se ele soubesse de todos os problemas do universo. Aposto que ele não escreveu suas obras pensando nos trabalhadores de pele mais escura, até porque naquele tempo ainda vivíamos a escravidão negra; quer mais exploração que isso? E qual foi o livro que Marx escreveu sobre este assunto específico?

Por: Bruno Rico


7 comentários

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Sonia · 06/05/2016 às 7:42 pm

Bruno que ar fresco me dar minha alma o seu post pois eu pensei que somente eu que tinha uma visão crítica sobre a teoria Karl Marx procurei nos textos literários deste autor algo que pudesse sustentar o discurso de classes trabalhadora fosse abranger também o negro enquanto trabalhador, mas bem que você lembrou o que já era constatado na literatura de Karl Max Kiss a classe trabalhadora que ele tanto defende são os europeus falido em busca do “El dourado” que o Brasil representava na época que vieram trabalhar na febre da industrialização ao qual o negros nem eram cogitados pq mal tinham saído da escravidão. É por esse povo pobre mas europeu que a teoria de Karl Marx se dirigia. Não podemos esquecer nos negro que a classe trabalhadora tem sua origem nos homens mulheres e até crianças pobres mas brancos europeus . Que bom que vc entendi isso.

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Maristela · 12/05/2016 às 3:44 am

Olá Bruno!
Tenho maior respeito e consideração por você, porque entendo que temos lutas que nos unificam, e já estivemos juntos, até. Gosto muito dos seus textos, mas neste caso em especial vou ter que discordar de você – Eu também me incomodo quando veem a esquerda de forma geral sem considerar suas nuances e diferenças o mesmo das bandeiras vermelhas! As palavras não são inocentes e a escrita muito menos. Não há neutralidade no discurso, na ciência ou na política. Se o marxismo é racista e o Comunismo não serve como referência de sociedade igualitária, qual o modelo que defende? Se o Socialismo não nos oferece nada, quem nos oferece? Qual o modelo de sociedade propõe? O capitalismo? O anarquismo? Algum modelo africano de sociabilidade e produção da riqueza?
Como imputar a Marx uma internalização de ideais racistas, para quem superou a ideologia da classe dominante de sua família para se vincularem a construção de um projeto de sociedade de outra classe? Se Marx seria, portanto, produto de sua época, como explicar o rompimento com a ideologia da classe dominante?
Só lembrando que o próprio Marx era chamado de mouro, inclusive por suas filhas, mas essa é uma história da vida de Marx que não interessa aqueles que simplesmente querem negar o marxismo!
Marx analisa:
A descoberta das terras auríferas e argentíferas na América, o extermínio, a escravização e o soterramento da população nativa nas minas, o começo da conquista e saqueio das Índias Orientais, a transformação da África numa reserva para a caça comercial de peles-negras que caracterizam a aurora da era da produção capitalista. Esses processos idílicos constituem momentos fundamentais da acumulação primitiva.
[…] na Inglaterra, no fim do século XVII, esses momentos foram combinados de modo sistêmico, dando origem ao sistema colonial, ao sistema da dívida pública, ao moderno sistema tributário e ao sistema protecionista. Tais métodos, como por exemplo, o sistema colonial, baseiam-se, em parte, na violência mais brutal. (MARX, 2013, p. 820, grifo nosso).
E completa com relação aos povos americanos:
O tratamento dispensado aos nativos era, naturalmente, o mais terrível nas plantações destinadas exclusivamente à exportação, como nas Índias Ocidentais e nos países ricos e densamente povoados, entregues à matança e ao saqueio, como o México e as Índias Orientais (MARX, 2013, p. 823, grifo nosso)
E continua ironizando a ética cristã e puritana que discursava sobre o amor a Deus ao mesmo tempo que, na sua contribuição ao processo de dominação colonial, matava índios – homens, mulheres e crianças, indiscriminadamente.
Mais a frente diz:
Com o desenvolvimento da produção capitalista durante o período manufatureiro, a opinião pública europeia perdeu o que ainda lhe restava de pudor e consciência. As nações se jactavam cinicamente de toda a infâmia que constituísse um meio para a acumulação de capital. […] (MARX, 2013, p. 824, grifo nosso).
Marx reforça na continuação do texto – denunciando o cinismo europeu – o fato dos europeus terem seu crescimento baseado na exploração do tráfico negreiro e na destruição da África, ao mesmo tempo em que associavam isso à sua suposta sabedoria política.
E diz ainda:
Enquanto introduzia a escravidão infantil na Inglaterra, a indústria do algodão dava, ao mesmo tempo, o impulso para a transformação da economia escravista dos Estados Unidos, antes mais ou menos patriarcal, num sistema comercial de exploração. Em geral, a escravidão disfarçada dos assalariados na Europa necessitava, como pedestal, da escravidão sans phrase do Novo Mundo. (MARX, 2013, p.829)
Bom, percebam os adjetivos que Marx usa em toda essa parte que se encontra no capítulo 24 do Livro I do Capital: o extermínio, a escravização e o soterramento; a transformação da África numa reserva para a caça comercial de peles-negras que caracterizam a aurora da era da produção capitalista; violência mais brutal; perdeu o que ainda lhe restava de pudor e consciência. As nações se jactavam cinicamente de toda a infâmia.
Ele faz isso pra demonstrar toda a brutalidade e violência com que nasce o capital, expropriando os camponeses na Europa, exterminando os indígenas na América, escravizando e matando os africanos na África. Para dar conta desse fenômeno extremamente violento, Marx não poupa adjetivos depreciativos para caracterizar os atos europeus e as formas de consciência e discurso que os europeus ainda buscavam justificar tais atos. Usa de intensa ironia, como é característico em toda a sua obra, para analisar o processo de acumulação de capital e as justificativas infames dos europeus. Como alguém que usa todos esses adjetivos e expressões pode ser acusado de imperialista e pró-colonialista?
Todos sabemos que O manifesto Comunista é um dos principais textos de defesa do comunismo, da classe trabalhadora e ataque aos burgueses capitalistas, mesmo não sendo mais do que uma espécie de panfleto – apesar de sua profundidade. Dessa forma, perguntamos: por que no manifesto comunista não encontramos a defesa da classe trabalhadora ariana ou proletARIANA? Por que não encontramos a defesa da colonização e do imperialismo? Mais ainda, por que não encontramos a defesa do racismo e da supremacia branca? Já que era uma espécie de programa político, porque não encontramos essas propostas? O desejo de atacar o marxismo não pode ser maior do que qualquer análise científica!
Por ora, resta ainda uma questão: era Marx realmente racista e preconceituoso?
Não duvido, pois, mesmo entre nós que lutamos contra o racismo, o machismo a homofobia inúmeras vezes somos pegos em práticas e atos que são considerados preconceituosos. Temos consciência que fomos educados – pela família, religião, escola, estado, imprensa – a sermos racistas, machistas e homofóbicos e romper com essa educação é uma dura tarefa que realizamos cotidianamente. Nem por isso, nossas ideias e práticas devem ser qualificadas de defensoras do machismo, do racismo e da homofobia. Não fosse assim, não teria surgido o movimento de mulheres negras que é uma prova que mesmo no interior do movimento negro o machismo e, digo, a homofobia ainda são marcas intensas e bem presentes. Mas não é por isso que vamos desqualificar o movimento negro e dizer que são artífices do machismo e da homofobia.
Com efeito, não resta dúvida que o movimento operário, sindical e classista historicamente tem tido dificuldade de trabalhar com a questão de raça e tem secundarizado essa luta, mas não é por isso que vamos desqualificar toda a luta de parte importante da classe trabalhadora brasileira chamando-a de defensora de sua hegemonia ariana. Não resta dúvida também que a intelectualidade marxista no Brasil teve muita dificuldade em discutir a importância central da questão de raça na determinação de nossa desigualdade, tão bem analisada por Dias (2010) , e que isso ainda hoje tem repercussões negativas no entendimento da realidade brasileira, mas nem por isso suas análises são absolutamente descartáveis. Assim como a maioria do movimento negro tem dificuldades em trabalhar com a ideia de classe e associá-la à questão de raça. Nem, por isso devemos dizer que o movimento negro é per si um movimento atrasado.
Pois bem, enquanto não superarmos a dicotomia raça e classe no entendimento da história e da realidade brasileira estaremos fadados a fazer uma análise sempre parcial e insuficiente de nossas condições e não estaremos prontos para destruir o racismo, o capitalismo e construir outra forma de convivência que não seja baseada na exploração e opressão de um grupo de ser humanos por outro.
Nem todos os brancos são meus inimigos, Nem todos os negros são meus irmãos, Meus irmãos são aqueles que estão ombro a ombro na luta comigo. (parafraseando o Lutador negro e Poeta Solano Trindade)

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JULIO CESAR · 17/03/2018 às 2:54 pm

MARXISMO=NAZISMO=COMUNISMO=FASCISMO=RACISMO=HOMOFOBIA
OS MARXISTAS ASSASSINARAM MAIS DE 100.000.000 DE PESSOAS E ESTUPRARAM MAIS DE 3.500.000 DE MULHERES

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JULIO CESAR · 17/03/2018 às 2:55 pm

MARXISMO=LIXO

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JULIO CESAR · 17/03/2018 às 2:56 pm

MORTE AO MARXISMO(COMUNISMO,FASCISMO E NAZISMO)VIVA A DEMOCRACIA(DIREITA,CENTRO E ESQUERDA MODERADA)

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julio cesar · 19/05/2018 às 12:59 pm

MARXISMO(COMUNISMO,FASCISMO E NAZISMO)É RACISTA E HOMOFÓBICO

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julio cesar · 27/05/2018 às 10:43 am

COMUNISMO É RACISTA

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