Os contornos da fuga de fortunato…

Publicado por Griot Brazil em

A nossa história começa num dia nublado com vento úmido soprando vagarosamente, era outono e o clima trazia lembranças de uma época que agora Fortunato só tinha na memória. Viveu toda a sua infância  em África e desde que foi capturado por traficantes brancos vindos da Europa Meridional, deixou de ser um nativo africano para se tornar uma mercadoria de ínfimo valor e que não mais podia ter opinião ou sentimentos.

  E foi nesta condição que ele atravessou o oceano num mar revolto acompanhado de pessoas que nem se quer falavam a mesma língua. Foi uma viagem rumo ao inferno às vezes até parecia que já estava morto e que tudo aquilo era uma penitencia por seus pecados, mas não. Era apenas uma concepção de mundo oposta aquela que lhe fora ensinada ainda em sua primeira infância. Uma noção de mundo onde o outro não era mais uma fonte de conhecimento, mas um inimigo que tinha que ser eliminado e quando não açoitado, humilhado e por fim escravizado.

O tempo que passou em alto mar foi só fortalecendo o seu desejo por liberdade e sua insatisfação por estar a mercê de homens que nem podiam ser chamados de homens por tanto ódio que nutriam no seu interior, aqueles homens estavam mais próximoPropellerAds de animais selvagens do que qualquer outro ser humano. Era notório o seu ódio, a sua incapacidade de sentir empatia ou mesmo o mínimo de remorso por participar de um ato tão vil e desumano. Não. Eles não pertenciam de maneira alguma à espécie humana, eram animais e ponto: – Pensou Fortunato olhando atentamente para os traficantes que se alimentavam  no convés do navio negreiro.

No desembarque outros animais se amontoaram a beira do cais para receber com aplausos os traficantes que mesmo extenuados pela longa viagem ansiavam por mulheres e álcool. Os cativos mais fracos que não conseguiram chegar vivos ao destino final foram todos separados e amontoados num local reservado para este fim até que fossem jogados num buraco e enterrados todos juntos como se fossem meros animais. Ali naquela região que posteriormente passou a serem chamados de “PEQUENA AFRICA”, ali muitos e muitos corpos negros foram enterrados sem nenhuma dignidade deixando claro o nível alto de desprezo que a sociedade branca euro-brasileira tinha para com os seus escravizados.

Ao pisar em terra firme Fortunato olha atentamente a sua volta e vê os olhos tristes de seus irmãos na nova terra. Sente a dor deles, mas segue de cabeça erguida mesmo estando  acorrentado e sendo tratado como um animal selvagem que carece de muitos e muitos açoites para ser domesticado. Ali naquele exato momento ele começava traçar o seus planos de fuga…

A HISTÓRIA CONTINUA

Autor: Prettu Júnior


0 comentário

Deixe aqui o seu comentário

%d blogueiros gostam disto: