Os cotistas desagradecidos…

Publicado por Griot Brazil em

Esta reportagem é um cruzado de direita no queixo desses sujeitos que acreditam que o que serviu aos seus antepassados não pode valer para as outras pessoas que tiveram histórias até piores que a deles ou mesmo para aqueles que fingem-se de esquecidos,  ignorando o fato de que estamos na era da internet e informação. E que quem quiser saber as verdades escondidas nos porões da história, basta apenas fazer uma simples busca na internet.

Não  eu não tenho nenhuma esperança a respeito dessa gente mediocre. Não nutro qualquer tipo de ilusão quanto a isso. Até porque eu conheço bem a história deles e sei que um povo que viveu 388 anos do trabalho escravo não pode ser ético ou justo. Todavia, nós continuamos falando não para as elites brancas e racistas desse pais, mas para a maioria da população que é negra e mestiça. Falamos para as massas que não coicidentemente vive iludida com esse sistema hipocrita e corrupto que a cada dia que passa se torna mais agressivo e desonesto, mais segregador e tendencioso.

judiciarioFoto: Carta Capital

Por Tau Golin –  Sul 21

A incoerência é típica dos desagradecidos. É o auge da hipocrisia individualista, o que há de mais nojento no ser humano. A cena patética de cuspir no prato e enfumaçar a história.

Depois que o Brasil começou recentemente a política de cotas, a algaravia da intolerância tomou conta do país. A cota, no geral, é um pequeno acelerador para retirar as pessoas da naturalização da miséria, um meio temporário de correção histórica da condição imutável da pobreza. Se a política de cotas é essencial em sociedades estratificadas, pode-se imaginar a sua necessidade neste Brasil amaldiçoado pela escravidão e etnicídio dos povos indígenas.

Nos meios de comunicação observa-se o triunfo de uma enganosa ética do trabalho, o elogio do esforço individual, como se seus porta-vozes levantassem como fênix das cinzas das dificuldades para o voo da prosperidade. Gente empobrecida, ao mesmo tempo, amaldiçoa os cotistas, culpando-os pela sua condição de pouco progresso, apesar de trabalharem a vida toda como jumentos. Invariavelmente realizam o elogio do trabalho, do esforço pessoal, sem questionarem aqueles que acumulam os produtos de seu esgotamento e imutabilidade social.

Nos ambientes sociais, invariavelmente, escuto descendentes de imigrantes condenarem a política de cotas. São ignorantes ou hipócritas. A parte rica do Rio Grande do Sul e outras regiões do Brasil é o presente de cotistas do passado. As políticas de colonização do país foram as aplicações concretas de políticas de cotas. Aos servos, camponeses, mercenários, bandidos, ladrões, prostitutas da Europa foi acenado com a utopia cotista. Ofereceram-lhes em primeiro lugar um lugar para ser seu, um espaço para produzir, representado pelo lote de terra; uma colônia para que pudesse semear o seu sonho.

E lhes alcançaram juntas de bois, arados, implementos agrícolas, sementes, e o direito de usar a natureza – a floresta, os rios e minerais – para se capitalizarem. No processo, milhares não conseguiram pagar a dívida colonial e foram anistiados. E quando ressarciram foi em condições módicas.
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