Perfil

A Mãe de Marighella

Muito se tem falado sobre a branquitude do Revolucionário Carlos Marighella. Todavia em vida ninguém o tratava como sendo parte dessa sociedade doentiamente racista. Agora para querer diminuir o trabalho de um artista renomado, lucido e coerente trouxeram de volta todo tipo de foto que versa sobre a branquitude de um filho de mulher negra. Mas a verdade esta ai e quem quiser se informar adequadamente é só faze-lo. Outra coisa que não podemos ignorar é o fato de que em vida Carlos Marighella sempre se declarou negro. O que me surpreende nessa branquitude é que o cidadão mestiço em situação de rua é compulsoriamente taxado de negro, mas quando um cidadão mestiço tem algum destaque na sociedade ele automaticamente passa a ser branco. É muita demagogia e mau caratismo junto.

Maria Rita do Nascimento, baiana filha de escravos trazidos do Sudão, conheceu em Salvador o operário Augusto Marighella, imigrante recém chegado da região de Emília, Itália. Apaixonaram-se, casaram-se e seu primeiro filho foi Carlos Marighella (nascido em 05/12/1911). Num momento em que a história de Marighella está nas telas de cinema pelo mundo num filme de Wagner Moura, lembramos de sua origem negra. Sua mãe, Maria Rita, nasceu em maio de 1888, filha e neta de escravizados de origem Haussás. Os Haussás eram povos negros, islamizados pelos árabes, vindos do Sudão Central, atual norte da Nigéria que ao chegarem no Brasil foram levados, na grande maioria, para a Bahia e Pernambuco.
Destes muçulmanos é que se criou a mítica do negro altivo, insolente, insubmisso e revoltoso. A inconformidade com a escravidão no Brasil fez com que os haussás suscitassem várias revoltas. A maior delas ocorreu na noite do dia 24 e 25 de janeiro de 1835 na Bahia, com mil e quinhentos negros: a revolta dos Malês!

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