Representatividade importa???

Publicado por Griot Brazil em

             Qual a primeira coisa que lhe vem a mente quando falam em Movimento Negro ou Negros em Movimento hoje no Brasil?  Pode ser a imagem de Zumbi dos Palmares, João Cândido ou Dandara ou seria algum desses militantes atuais? Não importa pois independentemente de qual imagem que lhe venha a cabeça acredito que todas devem versar sobre uma mulher ou homem negro articulado. Que luta por justiça e igualdade social. Pare! Pense um pouquinho e se possível tente vislumbrar alguma imagem de alguém que seria capaz de dar a própria vida pelo que acredita. Conseguiu ver alguém assim no cenário atual? Acredito que não. E eu te digo porque. Simplesmente porque não tem e nem tivemos ninguém nesse nível nos últimos 100 ou 200 anos.foto-tia-eron1.jpg Bom! Me desculpe externar meus pensamentos nessa lauda, pois a muito tenho me incomodado com os rumos que a militância negra esta tomando.  Vejam vocês essa jovem mulher negra Erodirdes Vasconcellos Carvalho, Tia Eron como é conhecida devido o seu trabalho como Tia na EBI (Escola Bíblica Infantil) da Igreja Universal do Reino de Deus. Ela saiu em defesa do presente da Câmara dos Deputado, Eduardo Cunha sem a menor cerimônia. É realmente lamentável ver e ter que falar de uma irmã que não entende o seu papel social e histórico, como sendo uma das primeiras mulheres negras do estado da Bahia a ocupar um espaço de destaque no cenário político brasileiro. Cenário este claramente racista e machista. Não vou entrar no mérito do voto que ela proferiu tendo em vista que a mesma é evangélica, logo voltou com os seus. Mas é  lamentável ouvir uma mulher negra  se expressando com total falta de compreensão do que esta em jogo no atual momento político brasileiro. Todavia, esse é uma assunto para Guaraciara Gonçalves uma de nossas colaboradora que mais do que ninguém pode falar com propriedade a  respeito desse assunto.

             Noutro dia eu fui chamado para falar do meu livro numa cerimônia na OAB e também expor o meu caso que vem sendo representado por uma um grupo de Advogados negros que compõe um comitê naquela casa. Antes de me passarem o microfone uma mulher negra foi chamada a falar e ela o fez de maneira meio confusa, mas o fez. Entendendo o nervosismo da irmã eu simplesmente mudei a minha fala para exaltar a posição daquela jovem negra, pois entendi que estávamos no mesmo barco. Pelo simples fato de sermos negros e de origem pobre. As vezes temos que entender isso, pois se não vamos sair em defesa daqueles que estão trabalhando para dar continuidade as agruras do nosso povo. Defendendo as posições que os antepassados escravocratas deles defendiam. É simples assim.

 A sensação que eu tive ali, é que eles com base em algum estereotipo chegaram a conclusão que ela não estava apta a falar em publico, ou pelo menos não para eles, homens e mulheres tidos como cultos ou no máximo letrados.

O tempo passou e, eu fiz as minhas escolhas, cometi erros e acertos e cheguei a um ponto na minha vida que me considero um homem maduro. Na caminhada até aqui descobri muitos entraves nos movimentos de negritude no Brasil e um deles talvez seja o mais importante. Entendi que todos esses negros gabineteiros no fundo querem ser branco. É isso mesmo. Eles reproduzem valores eurocêntricos com a mesma destreza com que destroem os sonhos dos neguinho da favela. Ser chique para eles é ser o mais próximo de um senhor de engenho possível. Não meus amigos eles não querem a emancipação do nosso povo. Nem querem o fim do racismo, afinal, é por causa dessas mazelas que eles tem um emprego. Por isso, não sofro com o fato de não ter aprendido a história dos meus opressores, todavia, me orgulho de saber e muito bem a história do meu povo. O meu conhecimento sempre veio do mesmo lugar. Veio dos livros. Por isso afirmo, não me perguntem o meu grau de instrução, mas quais livros eu li. Agora estou as voltas com meu novo livro, um romance. Quando conclui a última linha orgulhoso me peguei pensando em Carolina Maria de Jesus a maior escritora brasileira pura e simplesmente. Imagine você por um único minuto se ela ainda estivesse viva ou se fosse dessa época. Conseguem imaginar como seria? Eu consigo. No seu auge esses negros chapa branca a abraçariam, beijariam e cultuariam com todo fervor do mundo, no seu declínio a desprezaria como já fizeram com tantos outros irmãos. No entanto e, infelizmente, ela não vive mais entre nós.

11130215_950980578247484_8406044632959773849_nE por isso mesmo eles podem a cultuar livremente. Em alguns momento me sinto parte da história dessa mulher que foi grande em todos os sentidos, sem falsa modéstia ou prepotência e principalmente sem comparações pois ela é incomparável. Falo porque acredito que da mesma maneira que ela foi buscar ser o que não estava reservado a ela. Como sendo mulher e negra, tanto anos depois eu assim como outros irmãos e irmãs buscamos o que deveria ser impossível para pessoas como nós, pelo menos aos olhos dessa gente racista e hipócrita que acredita que nascemos para ser massa de manobra. O que vemos nessas manifestações dos últimos tempos é exatamente isso, o desejo de que pessoas negras e pobres não possam ter acesso ao ensino superior. Não possam pleitear uma vaga no serviço publico ou ir além do que a sociedade de antemão já determinou para elas ou seja o papel de serviçal.  para uma mulher ou um homem negro de origem humilde não há espaço nesse mundo que eles usurparam dos nossos ancestrais. Pelo menos é o que pensam eles…

Por: Prettu Júnior

 
Leiam também o texto do escrito por:
Bruno Rico

Precisamos repensar a militância preta.

 


4 comentários

O Canal Afro

O Canal Afro · 21/04/2016 às 1:39 am

Terrivel a nossa realidade infelizmente.

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mamapress · 26/04/2016 às 2:53 pm

Republicou isso em Mamapresse comentado:
Canal Afro: Um Canal de informações e discussões sobre a atual situação da população negra que acrescenta.

    O Canal Afro

    O Canal Afro · 26/04/2016 às 6:43 pm

    Obrigado Romão o seu parecer é muito bem recebido, afinal vc é uma das grandes personalidades de mídia negra nesse pais

A Crise das Classes Dominantes e Nós. | O Canal Afro · 25/04/2016 às 9:22 pm

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